sábado, 17 de setembro de 2005

A casa dos 1000 corpos, Rob Zombie (2003)


Você percebe que a locadora que freqüenta é uma droga, quando tem muita vontade de ver um filme, não o encontra, acaba esquecendo dele – nem sabia que havia sido lançado no Brasil – e no primeiro buraco diferente que visita (e isto significa: uma locadora qualquer que passa despercebida) ele está na primeira prateleira perto da porta.

Não me considero um cara que entende das coisas, nem posso ser chamado de fã de filmes de horror – nunca vi muitos clássicos. Se fosse há alguns anos, eu poderia dizer que a minha expectativa levou um tiro de calibre doze na cara e se espalhou por todo o assoalho enquanto eu berraria deveras puto: “Mas porra, que filme mais escroto!”. Mas não, eu fui achar de flertar com a cinefilia e ver os filmes de outra forma, a direção, a edição, a maneira como foi feito, essas coisas. É por causa disso que A Casa dos 1000 Corpos (House of 1000 corpses)de Rob Zombie merece a quantidade de opiniões altamente favoráveis (ah, sim, tem a história também) no meio especializado em horror, terror, trash, slash, gore e todas estes estilos que só os fãs genuínos sabem diferenciar. Sai correndo, que lá vem a história.

No final dos anos 70, quatro amigos dentro de um carro passeiam pela estrada em algum lugar do interior dos Estados Unidos – essa é a nova, não? Eles chegam na loja do Capitão Spaulding (é o Krusty dos Simpsons, sem dúvida) onde ele apresenta um Show de Horrores, além de vender gasolina e frango frito. Após ficarem impressionados com história de um tal de Dr. Satã, os amigos saem da loja e seguem viagem até o carro dar prego num lugar inóspito – à noite, durante uma chuva, é claro. Aí eles tem que contar com ajuda de umas pessoas sinistras que moram numa casa sinistra e fazem coisas sinistras (é claro).

Acho que se Rob Zombie encontrar Tobe Hooper na rua, ele no mínimo deve dar um beijo na boca do velho. “O Massacre da Serra Elétrica” e “Pague para entrar reze para sair” (que eu tinha tanto medo que não lembro de nada)- ambos de Hooper – são fontes evidentes para esta sua primeira experiência cinematográfica.

Não importa o preconceito que alguns possam ter contra roqueiros, filme de terror ou filmes de terror dirigidos por roqueiros, A Casa dos 1000 corpos prende a atenção – não se pode negar. Os personagens da família Firefly são psicologicamente e visualmente marcantes – além de usarem camisetas que eu gostaria de ter. Os amigos viajantes são: Bill, um rapaz de óculos que quer escrever um livro sobre “histórias das beiras de estrada do interior dos EUA”, além de ficar fazendo perguntas idiotas; Jerry, um desses típicos babacas que se batem de peito uns contra os outros e se espocam de rir de brincadeiras de mau gosto; Mary, um modelo de namorada chata e Denise, aqueles personagens apagados que ninguém nota. Porra, não é preciso ser um maníaco psicopata para querer matar todos eles.

Neste primeiro filme de Zombie, eu percebi duas coisas: 1) A esposa dele, além de boa atriz é uma atriz boa; 2) Como diretor, até que ele é um bom músico. Não, a direção não é ruim não (a cena em que os tiras abrem o celeiro da casa é muito louca), é que eu não podia perder a piada. Mas não importa o quanto de imaginação e situações bizarras Rob conseguiu criar, não importa o quanto os atores estavam empolgados com o projeto e nem os ótimos personagens esquisitos da família Firefly...eu não achei este filme um novo clássico do gênero, não o achei supimpa – como uma galera anda dizendo por aí – e confesso que fiquei puto por um momento, mas acho que Rob queria isso. Agora penso que tenho que assisti-lo de novo, coisa que não fiquei com muita vontade ao final. É claro que eu quero ver The Devil’s Rejects (2005) sua continuação, afinal, todos merecem uma segunda chance, e como eu disse...a esposa dele é bonitona.


Babe Firefly (Sheri Moon)- Temos que dar um desconto a Zombie, afinal, em qual outro filme a gente encontra um maníaco assassino assim? Isto é vanguarda!

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